Sérgio Cabral é denunciado pela sexta vez na Lava Jato, agora com ‘Juca Bala’


Nova acusação, que atribui ao ex-governador 25 crimes de evasão de divisas, 30 de lavagem de dinheiro e 9 de corrupção, foi apresentada nesta quarta-feira pela Procuradoria da República no Rio e envolve o dinheiro supostamente ilícito movimentado pelo grupo do peemedebista no exterior

A força-tarefa da Lava Jato no Rio de Janeiro denunciou pela sexta vez o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (PMDB), desta vez pelos crimes de evasão de divisas, lavagem de dinheiro e corrupção passiva. A denúncia apresentada nesta quarta-feira, 8, inclui ainda outros seis investigados incluindo o doleiro Vinícius Claret, conhecido como “Juca Bala” e preso na última sexta-feira no Uruguai a pedido a Procuradoria-Geral da República.

A denúncia é um desdobramento das operação Eficiência e que apontou que o esquema do ex-governador teria movimentado US$ 100 milhões no exterior – e Hic et Ubique.  A acusação abrange a complexa rede utilizada pelo grupo do peemedebista, acusado de cobrar 5% de propinas nas grandes obras do governo do Rio durante a gestão Cabral (2007 a 2014), para lavar dinheiro de propina no exterior.

De acordo com o MPF, “diante da grandiosidade do esquema criminoso”, a denúncia “não esgota todos os crimes praticados pelo grupo.”

“Os conjuntos de atos de lavagem de dinheiro narrados tinham por objetivo converter os recursos de propina em ativos de aparência lícita e/ou distanciar ainda mais de sua origem ilícita o dinheiro derivado de crimes de corrupção praticados pela organização criminosa”, assinala a Procuradoria da República.

A denúncia versa sobre crimes de corrupção passiva, organização criminosa, contra o sistema financeiro nacional e de lavagem de dinheiro. Contudo, diante da grandiosidade do esquema criminoso, não esgota todos os crimes praticados pelo grupo.

Além de Sérgio Cabral, também foram denunciados: Carlos Miranda (25 crimes de evasão de divisas e 21 crimes de lavagem de dinheiro), Wilson Carlos (25 crimes de evasão de divisas e 18 de lavagem de dinheiro), Sérgio Castro de Oliveira – Serjão (8 crimes de evasão de divisas), Vinicius Claret – Juca (25 crimes de evasão de divisas, 9 de corrupção passiva, 9 de lavagem de dinheiro e crime de pertencimento à organização criminosa), Claudio de Souza – Tony/Peter (25 crimes de evasão de divisas, 9 de corrupção passiva, 9 de lavagem de dinheiro e crime de pertencimento à organização criminosa) e Timothy Scorah Lynn (9 crimes de corrupção ativa e 9 de lavagem de dinheiro).

A denúncia imputou, ainda, 25 crimes de evasão de divisas, 30 crimes de lavagem de dinheiro e 9 crimes de corrupção passiva aos colaboradores Renato e Marcelo Chebar, que operavam as contas de Cabral no exterior.

Segundo o MPF, após a celebração dos acordos de colaboração premiada, foi possível revelar como Cabral e sua organização criminosa teriam ocultado e lavado:

1) R$ 39.757.947,69 movimentados e guardados no Brasil;

2) US$ 100.160.304,90 (, depositados em dinheiro em contas no exterior;

3) € 1.214.026,13 ocultados sob a forma de diamantes, guardados em cofre no exterior;

4) US$ 1.054.989,90, ocultados sob a forma de diamantes, guardados em cofre no exterior e;

5) USD 247.950,00, ocultados sob a forma de quatro quilos e meio de ouro, guardados em cofre no exterior.

A denúncia desta quarta abrange, especificamente, os crimes envolvendo a movimentação dos recursos ilícitos no exterior, incluindo a evasão de divisas do grupo criminoso por meio de operações dólar-cabo, expediente utilizado por operadores do mercado negro para remeter recursos para o exterior sem passar pela fiscalização das autoridades bancárias.

As investigações apontam ainda que  Sérgio Cabral, seu ex-secretário Wilson Carlos, seu es-assessor Carlos Miranda e os colaboradores mantiveram depósitos clandestinos em contas no exterior e lavaram dinheiro de quatro formas: com a manutenção de depósitos em nome de terceiros; com o pagamento de joia no exterior; com a compra de ouro e diamantes no exterior; com a transferência bancária para parentes de Carlos Miranda. Para a envio de recursos ao exterior, contaram com o apoio dos doleiros Vinícius Claret e Claudio Souza.

Com o acordo já foi possível repatriar US$ 85.383.233,61 provenientes das contas Winchester Development SA, Prosperity Fund SPC Obo Globum, Andrews Development SA, Bendigo Enterprises Limited e Fundo FreeFly em nome dos irmãos Chebar. Os recursos encontram-se depositados em conta judicial na Caixa Econômica Federal.

Atualmente o ex-governador está preso preventivamente em Bangu 8 e já responde a outras quatro ações penais na Justiça Federal no Rio e a uma na Justiça Federal no Paraná, todas desdobramentos da Lava Jato.

Estadão

Anúncios

Comente aqui

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s