PT deu mais de meio milhão de reais a terrorista treinado em Cuba que criou CV e PCC


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Alípio de Freitas, conhecido como Padre Alípio, hoje vive em Portugal.

Alípio Cristiano de Freitas é o terrorista comunista treinado em Cuba que recebeu mais de meio milhão de reais de indenização na era PT, por portaria assinada pelo à época Ministro da Justiça, Tarso Genro, e que durante o tempo em que esteve preso no regime militar criou as organizações criminosas que hoje aterrorizam o Brasil, o CV e o PCC. Segundo o próprio Alípio, ele treinou presos comuns no presídio de Ilha das Flores, no Rio de Janeiro, em organização e militância políticas.

Há que se fazer uma observação sobre Alípio de Freitas. Ele é conhecido por “Padre Alípio” na literatura da esquerda do período do regime militar, ocorre que na verdade ele foi afastado das suas funções na Igreja antes mesmo de ser ordenado por envolvimento com grupos comunistas. As dioceses das regiões onde ele militava eram obrigadas a publicar com frequência nos jornais locais sobre a presença do falso padre alertando os seus fieis. Muitos acabaram caindo na conversa do sujeito que se escondia atrás da falsa batina para subverter as mentes dos homens de boa-fé.

Sobre Alípio, também, pesa a acusação de ter sido o autor do atentado à bomba no Aeroporto de Guararapes, no Recife, em 1966. Esse atentado tirou a vida e deixou ferido gravemente vários inocentes.

Vamos agora à íntegra da Portaria do MJ 107, de 15 de janeiro de 2009, publicada no pág. 40. Seção 1. do DOU de 15/01/2009, e que concedeu uma pensão vitalícia e a bolada de R$ 650 mil para o terrorista que pariu o PCC.

O MINISTRO DE ESTADO DA JUSTIÇA, no uso de suas atribuições legais, com fulcro no artigo 10 da Lei nº 10.559, de 13 de novembro de 2002, publicada no Diário Oficial de 14 de novembro de 2002 e considerando o resultado do julgamento proferido pela Comissão de Anistia – Caravana da CNBB, na 149ª Sessão realizada no dia 26 de setembro de 2008, no Requerimento de Anistia nº 2002.01.07159, resolve:
N 107 – Declarar ALIPIO CRISTIANO DE FREITAS portador do CPF nº 628.433.707-87, anistiado político, concedendo-lhe reparação econômica, de caráter indenizatório, em prestação mensal, permanente e continuada, no valor de R$ 4.333,00 (quatro mil, trezentos e trinta e três reais), com efeitos retroativos da data do julgamento em 26.09.2008 a 04.03.1997, perfazendo um total retroativo de R$ 651.322,12 (seiscentos e cinqüenta e um mil, trezentos e vinte e dois reais e doze centavos), a contagem do tempo, para todos os efeitos, ao que refere-se ao impedimento da condição de cidadão brasileiro, nos termos da legislação competente, e o direito a revogação do ato que retirou sua cidadania, recomendando que seja oficiado aos órgãos competentes para que possa recompor o direito a Cidadania brasileira, nos termos da legislação competente, nos termos do artigo 1º, incisos I, II e III da Lei nº 10.559, de 2002. Tarso Genro.

Vamos à reportagem publicada na revista Época em 2009 com a confissão de Alípio sobre sua atuação política nos presídios brasileiros na época do regime militar.

O padre guerrilheiro que criou o PCC http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI64752-15228,00.html

sem20t3f3ftulo5-0Entre 1964 e 1981, o padre Alípio de Freitas foi encarcerado, torturado e transferido 16 vezes de prisão em prisão pelo Brasil. Perdeu a nacionalidade portuguesa, a brasileira e o direito de lecionar. Quase enlouqueceu. Preso político, organizou grupos na resistência com seus companheiros e com os presos comuns que conviviam com eles nas celas. Foi essa mistura que lhe custou a fama de ser o “pai” de duas organizações criminosas que hoje aterrorizam o Brasil, o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital. Hoje, aos 80 anos, ele ajuda imigrantes brasileiros em dificuldades em Portugal.

Neste ano, sairá pela editora Record o livro O assalto ao poder e a sombra da guerra civil no Brasil, do jornalista Carlos Amorim. Como nos dois livros anteriores da trilogia, Comando Vermelho, a história secreta do crime organizado (1993) e PCC, a irmandade do crime (2003), Alípio de Freitas vai merecer um capítulo. “Tudo o que os intelectuais queriam era resistir ao sistema penal. No meio, os presos comuns iam aprendendo a se organizar”, diz Amorim. “Depois, os intelectuais foram embora e deixaram a semente. Os outros se apoderaram.”Alípio participou com Francisco Julião dos primórdios das Ligas Camponesas e foi seu último secretário-geral, em 1964. Foi ativista nas campanhas de Miguel Arraes no Recife, amigo de fé de Paulo Freire no movimento pela alfabetização, assíduo no lendário Centro Popular de Cultura, o CPC. Soube que não vestiria mais a batina quando, às vésperas do golpe, o clero apoiou a Marcha da Família com Deus e pela Liberdade, nas ruas de São Paulo. Professor de história expulso da Universidade de Brasília, jornalista privado da carteira pelo sindicato, padre Alípio exilou-se no México. Mas sempre voltava ao Brasil, clandestino. Foi Mário, Guilherme, Carlos e tantos outros que, ao surgir um “subversivo” novo na parada, era ele que os militares apertavam, por precaução, na cadeia. Casou-se três vezes, teve uma filha, viu vários companheiros morrer, salvou outros da ordem de lamber paredes, do suicídio, do medo, da loucura. Foi condenado em dois tribunais a 150 anos de prisão; cumpriu dez. Ao ser solto, era apátrida. Começou ali a luta para conseguir de volta a cidadania brasileira, retirada por uma auditoria da Marinha. Sem emprego, foi camelô no Largo de São Francisco, no Rio de Janeiro, até que, passando por ali, o jornalista Hélio Fernandes o reconheceu vendendo camisas e deu-lhe emprego na Tribuna da Imprensa. Por fim, cansado, foi embora para Portugal. No ano passado, depois de 27 anos, ganhou uma ação de indenização contra o Estado brasileiro.

A mistura de presos políticos com presos comuns na ditadura era proposital. O objetivo era desvalorizar o heroísmo daqueles ao fazê-los conviver com estes. Isso permitiu a participação de criminosos comuns nas organizações criadas, muitas sob a liderança de Alípio. A primeira, na Ilha Grande, foi a Falange Vermelha, assim chamada porque as fichas dos presos da Lei de Segurança Nacional vinham com tarja vermelha. Seus integrantes acharam que “Falange” lembrava os fascistas e mudaram o nome para Comando Vermelho. Quando o governo acordou, em 1979, já era tarde. Para complicar, os presos de São Paulo se misturaram com os do Rio de Janeiro e a convivência levou à fundação, em 1993, do Primeiro Comando da Capital.

Alípio não nega seu papel na criação desses monstros. “Tenho poder de organização. Organizo grupos por onde ando. Fiz isso em todas as prisões por onde passei. Não me arrependo. Perguntem à polícia por que um grupo de malfeitores se apoderou na cadeia dos princípios da organização dos presos políticos. Primeiro, nos misturaram alegando que ambos assaltávamos bancos. Depois, mataram na cadeia todas as lideranças entre os presos comuns, os que estudaram conosco. Pensavam com isso desmantelar o CV ou o PCC. Mas deixaram os bandidos, a cadeia entregue à bicharada, unida à polícia corrompida.”

Alípio costuma andar sempre com seu “uniforme”, uma camiseta com a inscrição “Reforma Agrária, por um Brasil sem latifúndios”. É com essa camiseta que Alípio participou do último Fórum Social Mundial, em Belém, pouco antes de completar 80 anos. Desde que deixou o Brasil (embora faça questão de dizer: “Eu nunca deixei o Brasil”), Alípio vive em Portugal para amaciar a vida dos brasileiros. Criou a Casa do Brasil, refúgio seguro dos novos imigrantes brasileiros, que já são 100 mil. “Agora chegam por aqui os menos abastados. Vão morar mais barato do lado de lá do Rio Tejo. Criamos então a Associação Brasil Casa Grande”, diz. Ao mesmo tempo que leciona história da cultura brasileira na Universidade Lusófona, Alípio protege os brasileiros da acusação de terem criado uma versão do PCC em Portugal, o Primeiro Comando Português. “Pura xenofobia europeia. Há uns que assaltam, outros não, mas não se pode generalizar”, diz. Não há mesmo tortura que o dome, como cantou Zeca Afonso.”

 

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